A troca de ataques entre o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, ganhou novos contornos políticos e eleitorais. O episódio foi discutido no programa Ponto de Vista, apresentado por Marcela Rahal, e analisado pelo cientista político Leonardo Paz.
O embate teve início após Zema publicar um vídeo associando ministros do STF ao caso do Banco Master, o que motivou a reação de Gilmar. O ministro ironizou a fala do ex-governador e anunciou medidas judiciais. Zema respondeu acusando a Corte de “autoritarismo” e ampliou o tom crítico contra o Judiciário.
Leonardo Paz afirmou que a crítica ao STF se tornou um elemento recorrente na estratégia eleitoral de Zema, que busca se posicionar dentro de um campo político específico para ampliar sua base eleitoral. “Ele cola um pouco na narrativa da ala mais conservadora, da ala de extrema direita”, disse o especialista.
De acordo com Paz, a crítica ao Supremo pode funcionar como ferramenta de mobilização. “Ele está capitalizando nisso porque sabe que é ali que vai captar mais votos”, acrescentou. A decisão de Gilmar Mendes de acionar mecanismos legais contra Zema pode ter efeitos ambíguos, segundo o cientista político.
Paz alertou que a reação do ministro pode amplificar a visibilidade de Zema, mesmo que essa não seja a intenção. “Zema e outros vão usar esse argumento como tentativa de censura, perseguição política ou abuso de poder”, afirmou.
O especialista também ponderou que, do ponto de vista do STF, a reação busca conter associações consideradas mais graves, como vínculos indevidos com casos de corrupção. Ele destacou que o uso de ataques como instrumento de campanha tem consequências institucionais, podendo enfraquecer a confiança da sociedade na instituição.
“O ataque gratuito como ferramenta de campanha enfraquece a credibilidade”, disse Paz, acrescentando que esse cenário abre espaço para “aventureiros políticos” explorarem o desgaste institucional. O episódio reforça uma tendência já observada no debate político recente: o Judiciário, especialmente o STF, passou a ocupar posição central na disputa eleitoral.
Para Paz, essa agenda tem potencial de mobilização, mas também amplia a tensão entre os Poderes. A crise envolve não apenas a disputa entre Executivo e Judiciário, mas também a tentativa de candidatos de se posicionarem diante de um eleitorado cada vez mais polarizado.


