Os Correios reportaram um prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025, conforme balanço apresentado pelo presidente Emmanoel Rondon nos primeiros 100 dias do Plano de Reestruturação da estatal.
Este resultado marca o 14º trimestre consecutivo de resultados negativos e representa um déficit três vezes maior que o registrado em 2024. Do total, 75% do prejuízo se referem a despesas com dívidas reconhecidas judicialmente, os chamados precatórios.
O faturamento bruto da empresa caiu 11%, totalizando R$ 17,3 bilhões. Representantes dos Correios afirmam que R$ 2,63 bilhões desse valor gasto com precatórios foram herdados de gestões anteriores. O comunicado interno que detalhou os resultados financeiros de 2025 indicou que esses gastos estão relacionados a ações trabalhistas sobre adicional de atividade de distribuição e coleta externa.
A principal queda de receita foi atribuída à redução de encomendas internacionais, que diminuiu 66% em relação a 2024. Para garantir liquidez imediata, os Correios contrataram R$ 12 bilhões em crédito junto a um grupo de bancos, valor que foi repassado quase integralmente no dia 30 de dezembro de 2025.
Esse crédito, que veio principalmente da Caixa Econômica Federal (R$ 3 bilhões), Bradesco (R$ 3 bilhões), Itaú Unibanco (R$ 1,5 bilhão) e Santander Brasil (R$ 1,5 bilhão), tem validade até 2040 e conta com a garantia da União. O pagamento começará a ser feito a partir de 2029, com taxa de juros de 115% do CDI. Caso os Correios não consigam arcar com a dívida, o governo federal assumirá o pagamento das parcelas.
Além disso, a estatal planeja leiloar imóveis sem uso operacional, com expectativa de arrecadação de R$ 1,5 bilhão. O Programa de Demissão Voluntária (PDV) foi iniciado e já teve adesão de 3.181 funcionários, cerca de 31% da meta total. A estatal estima que essa iniciativa pode gerar economia de R$ 1,4 bilhão a partir de 2027.
Em 2025, o PDV resultou em economia de R$ 147,1 milhões, e a expectativa para este ano é de redução de custos de R$ 775,7 milhões.


