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Economia

Mineração brasileira enfrenta desafios e oportunidades em 2026

Amanda Rocha
Última atualização: 24 de abril de 2026 06:00
Amanda Rocha
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Tempo: 4 min.
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O setor de mineração no Brasil inicia 2026 sob pressão e oportunidades. Os custos elevados, a complexidade operacional e as exigências ambientais crescentes se contrapõem a uma demanda global aquecida por minerais, especialmente aqueles ligados à transição energética.

O estudo “Top 10 business risks and opportunities for mining and metals”, da EY, destaca que o capital é o principal risco e oportunidade para o setor. O levantamento também aponta o aumento de custos e produtividade, além da “licença para operar”, que envolve questões regulatórias e sociais, como temas centrais na agenda das empresas.

Entre os executivos ouvidos, 36% priorizam investimentos em áreas já exploradas (brownfield) e 34% indicam fusões e aquisições como principal destino de capital, ambos acima da média global de 25%. “O setor hoje precisa de bons projetos que tenham taxa de retorno adequada, que sejam sustentáveis e que consigam ser aprovados com velocidade”, afirma Afonso Sartorio, líder de Energia e Recursos Naturais da EY.

O custo de capital elevado é visto como uma característica estrutural da mineração, envolvendo riscos geológicos, operacionais e regulatórios. No Brasil, incertezas relacionadas a licenciamento e mudanças de regras impactam a precificação dos investimentos.

A seletividade do capital ocorre em um contexto internacional instável, com fatores geopolíticos influenciando as decisões de investimento. Sartorio afirma que o Brasil está mais atrativo, mas isso é relativo, pois a percepção de maior atratividade não está ligada a novas reservas, mas à deterioração do ambiente em outras regiões.

O estudo indica que países com maior previsibilidade institucional tendem a ganhar espaço na alocação de capital. Fatores como localização fora de zonas de conflito e uma matriz energética limpa favorecem o Brasil, que ainda está distante de mercados mais estruturados, como Austrália e Canadá.

O Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, mas participa pouco do processamento, onde está o maior valor. Sartorio ressalta que o desafio vai além da extração, sendo necessário desenvolver a cadeia produtiva e avançar no beneficiamento desses minerais.

Embora a demanda por minerais cresça, a oferta enfrenta obstáculos estruturais. A complexidade operacional é vista como o principal risco global e ocupa a quinta posição no Brasil. “A mineração tende a ficar mais cara ao longo do tempo. Os depósitos mais fáceis já foram explorados”, afirma Sartorio.

A busca por eficiência é a principal estratégia das empresas. Segundo o levantamento, 53% dos executivos brasileiros pretendem absorver custos adicionais por meio de ganhos de eficiência, enquanto 62% indicam planos de diversificação da cadeia de suprimentos. “Sem inovação, os custos sobem continuamente”, destaca Sartorio.

A agenda ESG também contribui para o aumento da complexidade, com impactos ambientais, sociais e de governança sendo considerados em praticamente todos os projetos. A circularidade e o reaproveitamento de resíduos são vistos como relevantes para investidores, com 28% dos executivos brasileiros apontando esse fator.

O setor enfrenta um crescente problema de mão de obra qualificada, com um déficit global de profissionais em mineração. Sartorio afirma que a transformação tecnológica exige uma força de trabalho mais preparada, aumentando a competição por talentos.

Apesar dos desafios, o estudo aponta uma janela de oportunidade para o Brasil. A combinação de demanda global, reorganização das cadeias produtivas e disponibilidade de recursos naturais cria um cenário favorável, desde que haja capacidade de execução.

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