Um sargento das forças especiais do Exército dos Estados Unidos, Gannon Ken Van Dyke, de 38 anos, foi acusado de lucrar com informações confidenciais relacionadas à queda de Nicolás Maduro. O Departamento de Justiça americano anunciou a acusação nesta quinta-feira, 23.
De acordo com promotores federais e o FBI, Van Dyke ganhou mais de 400 mil dólares ao fazer apostas em diferentes desfechos sobre a Venezuela, após ter acesso antecipado aos detalhes da operação que culminou na captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, em Caracas, no dia 3 de janeiro.
O sargento realizou ao menos 13 apostas na plataforma Polymarket, incluindo previsões sobre o momento e o resultado da queda do líder venezuelano. Parte das apostas envolveu valores elevados, com uma aplicação de cerca de 32 mil dólares que previa que Maduro deixaria o poder até o fim de janeiro.
Os investigadores afirmam que Van Dyke tentou ocultar os ganhos movimentando o dinheiro por diferentes contas, incluindo carteiras de criptomoedas. Ele também teria solicitado a exclusão de sua conta na plataforma, alegando falsamente ter perdido acesso ao e-mail cadastrado.
Van Dyke enfrenta cinco acusações, incluindo fraude eletrônica e uso indevido de informação governamental confidencial. Se condenado, pode enfrentar décadas de prisão. O procurador-geral interino dos EUA, Todd Blanche, afirmou que militares devem usar dados sensíveis apenas para cumprir suas missões e não para benefício financeiro pessoal.
O caso é considerado um dos mais graves envolvendo o uso de informações classificadas em mercados de previsão, que permitem apostas sobre eventos políticos e econômicos. Nos últimos meses, esses serviços têm enfrentado maior escrutínio das autoridades americanas, especialmente após movimentações suspeitas ligadas a conflitos internacionais.
O presidente Donald Trump criticou o avanço dessas plataformas, afirmando que o mundo se tornou um cassino. No Congresso, o senador Bernie Sanders também levantou preocupações sobre conflitos de interesse envolvendo figuras públicas. Atualmente, os mercados de previsão operam sob regulamentação federal, mas frequentemente escapam de regras estaduais aplicáveis aos jogos de azar tradicionais.
A Polymarket informou que reforçou suas regras contra o uso de informação privilegiada e que coopera com as autoridades, encaminhando casos suspeitos ao Departamento de Justiça para investigação.

