Representantes do presidente Donald Trump viajarão a Islamabad, no Paquistão, no sábado, 25, para uma nova rodada de negociações com o Irã. O objetivo é encerrar a guerra iniciada por ataques americanos e israelenses ao Irã em fevereiro, conforme anunciado pela Casa Branca nesta sexta-feira.
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, confirmou que o enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner partirão para o Paquistão amanhã de manhã para se reunirem com representantes da delegação iraniana. Witkoff é o representante especial do governo para assuntos do Oriente Médio, enquanto Kushner é genro do presidente e um dos conselheiros mais influentes.
Leavitt afirmou que houve “algum progresso por parte do Irã nos últimos dois dias”. O vice-presidente JD Vance, que liderou a equipe de negociação na primeira rodada de conversas com os iranianos, não participará da viagem ao Paquistão neste momento.
Paralelamente, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, anunciou uma viagem que incluirá visitas a Islamabad, Mascate, no Omã, e Moscou, na Rússia. Araqchi não mencionou conversas diretas com representantes americanos.
De acordo com a agência de notícias iraniana IRNA, o objetivo da viagem de Araqchi é realizar consultas bilaterais e discutir os desdobramentos recentes na região, além da guerra do Irã contra os Estados Unidos e Israel.
Questionada se os EUA haviam recebido a “proposta unificada” que Trump busca do Irã, Leavitt não respondeu diretamente. “Esperamos que haja progresso e que esta reunião traga resultados positivos, e veremos”, declarou.
Na terça-feira, Trump prorrogou por tempo indeterminado o cessar-fogo com Teerã para dar mais tempo às negociações de paz, em meio a indefinições em torno do Estreito de Ormuz. Na quarta-feira, o principal negociador do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que um cessar-fogo total só faz sentido se os Estados Unidos encerrarem o bloqueio naval aos portos iranianos, citando uma “violação flagrante” da trégua anunciada pelo presidente dos EUA.
A nova rodada de conversas ocorre em meio a indefinições sobre as negociações. A TV estatal iraniana informou que não havia decisão final sobre a participação do país nas tratativas com os EUA. Segundo o portal Axios, a protelação iraniana pode ser resultado de um racha interno, com a Guarda Revolucionária Islâmica pressionando os negociadores a adotarem uma postura mais firme.
Os Estados Unidos enviaram recentemente uma proposta por escrito aos iranianos para estabelecer uma base para negociações mais detalhadas. O documento abrange diversas questões, mas os principais pontos de atrito permanecem: o alcance do programa de enriquecimento de urânio do Irã e o destino de seu estoque de urânio enriquecido.
Não está claro o que exatamente Washington propôs ou o que Trump estaria disposto a aceitar. A posição americana tem variado entre exigir que o Irã abandone completamente o enriquecimento e permitir um programa civil limitado sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), além do fechamento das instalações nucleares subterrâneas iranianas.
Quanto ao estoque de urânio, há uma ampla gama de opções, incluindo se o Irã deve entregar seu urânio enriquecido diretamente aos Estados Unidos ou transferi-lo para um terceiro país. O que os Estados Unidos poderiam oferecer em troca também é incerto. O Irã possui centenas de bilhões de dólares congelados em bancos estrangeiros sob sanções americanas, e autoridades do governo Trump debatem se a liberação de parte desses fundos poderia fazer parte de um acordo final.

