A Polícia Civil investiga a morte de uma bebê prematura, ocorrida na última terça-feira, 21 de abril de 2026, após cerca de 47 dias de internação no Hospital de Base, em Porto Velho, Rondônia.
A criança, identificada como Stefany Dandara, nasceu no dia 4 de março, com sete meses de gestação, e não resistiu. Os pais acusam o Estado de negligência no atendimento.
Stefany foi diagnosticada com uma inflamação aguda causada por corioamnionite, uma infecção que atinge o líquido amniótico. Essa condição ocorre quando bactérias presentes no corpo da mãe contaminam o fluido que envolve o feto, podendo levar a complicações graves.
A família relatou que, durante a internação, houve falta de materiais essenciais para o tratamento de recém-nascidos. A mãe, Crislaine Vitória, afirmou: “Faltavam máscaras para a gente, faltava esparadrapo de qualidade, faltavam curativos, faltavam sondas. No caso da minha filha, faltou sonda gástrica.”
Ela explicou que a bebê acabou usando uma sonda de numeração inadequada, o que causou vômitos e complicações respiratórias. O pai, César Ferreira, complementou que a família precisou comprar materiais por conta própria para garantir o tratamento da filha.
Crislaine também mencionou a falta de itens básicos de higiene, como gaze e lenços de limpeza. “A gente fica imaginando: se a gente que conseguiu levar esse básico ainda sofreu, imagine quem não consegue”, disse.
A criança apresentou melhora inicial, mas desenvolveu uma nova infecção adquirida no ambiente hospitalar, resultando em complicações adicionais. A família registrou queixa e procurou diferentes órgãos de controle, incluindo a Defensoria Pública de Rondônia, que já iniciou um procedimento preliminar para apurar as circunstâncias da morte.
““É importante salientar que as famílias, assim como as suas crianças que estão sendo atendidas pelo SUS, têm todo o direito à saúde garantido”, afirmou o defensor Sérgio Muniz.”
A Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) informou que a bebê estava em estado clínico extremamente grave e recebeu assistência intensiva contínua durante toda a internação. A pasta destacou que, apesar dos esforços, o quadro evoluiu para falência múltipla de órgãos, condição comum em recém-nascidos prematuros.
““Todas as condutas foram adotadas de forma técnica, ética e tempestiva, compatíveis com a gravidade extrema apresentada desde a admissão”, afirmou a Sesau.”
A secretaria lamentou o desfecho e se solidarizou com a dor da família, reafirmando seu compromisso com o cuidado dos pacientes.

