Pesquisadores do Museu Arquidiocesano de Wrocław, na Polônia, descobriram um objeto na região do peito de uma múmia infantil através de tomografias. O exame sugere que o objeto pode ser um papiro, possivelmente contendo o nome do garoto.
Agata Kubala, do Instituto de História da Arte da Universidade de Wrocław, afirmou: “O desafio é abrir a cartonagem que envolve o corpo, que está extremamente frágil, e ainda não existe um método seguro para removê-la sem causar danos irreversíveis”.
A múmia faz parte de um estudo mais amplo que utilizou exames radiológicos sistemáticos, como tomografias computadorizadas, para investigar os restos mortais que chegaram à cidade em 1914, como parte da coleção do cardeal Adolf Bertram. Os resultados foram publicados na revista Digital Applications in Archaeology and Cultural Heritage.
As análises indicam que a múmia pertence a um menino de aproximadamente oito anos, que viveu no Egito durante o período ptolomaico, entre 332 a.C. e 30 a.C., sob a dinastia de Ptolemeu I Sóter. A identificação foi possível através do estudo do desenvolvimento dentário e dos tecidos moles preservados.
O corpo mede cerca de 123 centímetros e está envolto em bandagens e cartonagem, material feito de camadas de linho ou papiro. Os exames confirmaram práticas tradicionais de mumificação, como a remoção do cérebro pela cavidade nasal e a retirada da maior parte dos órgãos internos.
Resíduos de natron, um sal mineral utilizado na desidratação do corpo, e uma camada escura de resinas para conservação foram encontrados, sugerindo que a criança pode ter pertencido a uma família de status social mais elevado. O estado de conservação é incomum, com a cabeça e o pescoço parcialmente expostos e crostas esbranquiçadas.
Os pesquisadores acreditam que o rosto da criança pode ter sido originalmente coberto por uma máscara funerária. As imagens também indicam a presença de materiais de preenchimento usados para manter a forma do corpo após a retirada dos órgãos.
Sem sinais evidentes de trauma, a hipótese mais provável é que a morte tenha sido causada por alguma doença, possivelmente uma infecção. A densidade óssea sugere que a criança não apresentava doenças crônicas graves, ao menos não evidentes nos ossos.
O estudo destaca a importância das tecnologias não invasivas na arqueologia moderna e abre caminho para novas investigações, incluindo a possibilidade de identificar o conteúdo do objeto encontrado no peito, sem a necessidade de abrir a múmia e danificar o corpo.

