O Brasil se tornou um dos destinos preferidos dos investidores internacionais, impulsionado pela oferta de commodities, neutralidade geopolítica e juros elevados. Esses fatores ajudam o país a superar a cautela global gerada por incertezas em conflitos no Oriente Médio e no leste europeu.
Analistas explicam que a combinação desses elementos tem atraído um crescente interesse em mercados emergentes. Contudo, questões internas, como os ruídos políticos e o risco fiscal, podem afetar esse apetite nos próximos meses, especialmente com a proximidade das eleições.
““O Brasil tem uma oportunidade única à disposição, pois tem tudo que o investidor estrangeiro busca: escala, liquidez, distância geográfica e riquezas naturais”, afirmou Gabriel Barros, economista-chefe da ARX Investimentos.”
Até 22 de abril de 2026, o capital estrangeiro na B3 atingiu R$ 64,42 bilhões, mais que o dobro do total de 2025, que foi de R$ 25,47 bilhões, segundo dados da consultoria Elos Ayta. Isso representa 61,2% de todo o capital que entrou na bolsa brasileira neste ano, evidenciando uma tendência de aumento do fluxo internacional desde 2023.
Além da B3, dados do Banco Central mostram ingressos líquidos de US$ 28,4 bilhões no Brasil nos 12 meses encerrados em março, incluindo ações, fundos e títulos de dívida. Embora tenha havido uma leve queda em relação a fevereiro, o número reafirma a tendência de crescimento observada ao longo de 2025.
Solange Srour, analista do UBS Global Wealth Management, destaca que a valorização do real e os juros altos são fatores que atraem capital estrangeiro. O Banco Central mantém a Selic em dois dígitos desde fevereiro de 2022, com uma recente redução para 14,75%. Apesar das expectativas de novos cortes, a política monetária deve se manter cautelosa.
““A tendência é que deva cair de forma mais lenta diante deste cenário mais incerto com a inflação em decorrência das tensões dos conflitos no Oriente Médio”, disse Patrícia Krause, economista-chefe para a América Latina da Coface.”
A grande oferta de commodities e a neutralidade do Brasil são vistos como vantagens em um cenário global incerto. O país é um importante exportador de produtos agrícolas e desempenha um papel relevante no abastecimento energético.
O Bank of America elevou a projeção para o Ibovespa, prevendo que o índice chegue a 210 mil pontos até o final de 2026, um aumento de quase 10% em relação à previsão anterior. O relatório destacou o desempenho positivo da América Latina, especialmente do Brasil, em meio ao conflito no Oriente Médio.
Apesar do otimismo, a situação fiscal do Brasil continua a ser uma preocupação. Srour observa que, embora a situação fiscal seja considerada sustentável no curto prazo, mudanças podem ocorrer com a proximidade das eleições e a possibilidade de alterações no regime econômico.
““Se a gente chegar no final do ano sem um plano, esse cenário global, que hoje é favorável, pode se inverter”, alertou Srour.”

