A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu, por 6 votos a 3, que a criação de um segundo distrito de maioria negra na Louisiana configura ‘gerrymandering racial inconstitucional’, enfraquecendo a Seção 2 da Lei dos Direitos de Voto e provocando forte reação de grupos de direitos civis no Sul do país.
O julgamento, realizado na quarta-feira, anulou o novo mapa eleitoral da Louisiana e abriu caminho para que estados liderados por republicanos, especialmente no Sul, redesenhem distritos de modo a reduzir a representação de minorias no Congresso. A decisão foi celebrada por republicanos, incluindo o ex-presidente Donald Trump, que afirmou tratar-se de ‘uma GRANDE VITÓRIA para a Igualdade de Proteção sob a Lei’. Por outro lado, democratas e organizações de direitos civis condenaram o veredito e prometeram mobilização para proteger o poder eleitoral de grupos raciais.
Charles Taylor, diretor executivo da NAACP Mississippi, declarou que a decisão representa uma traição aos eleitores negros do Sul e questionou a imparcialidade da Suprema Corte. Ashley Shelton, presidente da Power Coalition for Equality and Justice, destacou a importância de aumentar a participação eleitoral e informou que sua organização está promovendo ações de educação, registro e mobilização de eleitores em todo o estado.
Além da mobilização popular, lideranças como Rhyane Wagner, da Alabama Values Progress, defendem a aprovação de legislações estaduais para restaurar proteções perdidas, enquanto Hillary Harris Klein, do Southern Coalition for Social Justice, reforça a necessidade de o Congresso aprovar novas leis federais, como o John Lewis Voting Rights Advancement Act, para garantir eleições justas e combater a diluição do voto de minorias.
Apesar do aumento das barreiras legais para contestar mapas eleitorais, especialistas afirmam que ainda existem proteções constitucionais contra discriminação intencional. Taylor, da NAACP Mississippi, já articula com advogados da entidade estratégias para contestar judicialmente mapas que enfraqueçam o voto negro. O futuro da representação de minorias e do equilíbrio de poder no Congresso dependerá das próximas ações legislativas e judiciais.


