A Spirit Airlines anunciou neste sábado o encerramento definitivo de suas atividades, atribuindo à alta repentina e sustentada dos preços do combustível, provocada pela guerra no Irã, o fator determinante para a decisão. O fechamento da companhia, que transportou cerca de 30 milhões de passageiros em 2025, marca o fim de uma era para o setor de aviação de baixo custo nos Estados Unidos.
Após anos de dificuldades financeiras e duas falências, a Spirit Airlines comunicou que não conseguiu superar o impacto do aumento dos preços do combustível, agravado pelo controle iraniano do Estreito de Hormuz. A empresa informou o cancelamento de todos os voos e o início do processo de reembolso aos clientes, recomendando que procurem outras companhias para remarcar suas viagens.
O presidente e CEO da Spirit, Dave Davis, afirmou que “a súbita e sustentada alta dos preços do combustível nas últimas semanas deixou-nos sem alternativa”. Segundo Davis, a manutenção do negócio exigiria centenas de milhões de dólares em liquidez adicional, valor que a empresa não possuía nem conseguiu obter.
Autoridades do setor de transporte, como o secretário Sean Duffy, discordaram de que a guerra no Irã tenha sido o principal motivo do fechamento, alegando que a empresa já enfrentava sérios problemas antes do conflito. Duffy atribuiu parte da responsabilidade ao bloqueio de uma fusão com a JetBlue pelo Departamento de Justiça dos EUA em 2023.
O aumento do preço do combustível, que subiu quase 70% nos Estados Unidos desde o início do ataque ao Irã em fevereiro, afeta companhias aéreas em todo o mundo. Outras empresas de baixo custo, como Magnicharters no México e Ryanair na Europa, também avaliam cortes de rotas ou suspensão de voos, indicando um cenário de incerteza para o setor.
O fechamento da Spirit Airlines destaca a vulnerabilidade das companhias de baixo custo diante de crises globais, levantando dúvidas sobre a sustentabilidade desse modelo em um ambiente de custos elevados e instabilidade geopolítica.

