O Reino Unido elevou o nível nacional de ameaça terrorista para ‘severo’ após um ataque antissemita em Golders Green, bairro predominantemente judaico de Londres, que resultou em dois homens feridos por facadas. O governo anunciou um pacote de £25 milhões para reforçar a segurança das comunidades judaicas e prometeu novas leis para combater ameaças externas.
O ataque em Golders Green, ocorrido na quarta-feira, foi classificado como incidente terrorista pela polícia. Um homem de 45 anos foi acusado de tentativa de assassinato. O primeiro-ministro Keir Starmer afirmou que a comunidade judaica britânica sofreu ‘mais um ataque terrorista vil’, destacando que o episódio é parte de uma escalada recente de crimes antissemitas no país.
Nos últimos meses, Londres registrou uma tentativa de incêndio criminoso, ataques a serviços de ambulância judaicos e uma tentativa de atentado a uma sinagoga, além da morte de dois homens judeus em Manchester no ano passado. Segundo o Community Security Trust (CST), foram 3.700 casos de ódio antissemita em 2025, um aumento de 4% em relação a 2024. O governo anunciou reforço policial e um subsídio para ambulâncias de uma instituição judaica atacada em março.
O clima de insegurança é crescente: pesquisa do Institute for Jewish Policy Research mostra que 47% dos judeus britânicos consideram o antissemitismo um problema muito grave, ante 11% em 2012. O governo também enfrenta críticas de organizações judaicas e de líderes religiosos, que cobram ações concretas e não apenas discursos. O rabino-chefe Ephraim Mirvis declarou: ‘Palavras de condenação não são mais suficientes. Este deve ser um momento que exige ação significativa de todas as instituições e líderes.’
O aumento do discurso de ódio nas redes sociais é outro foco de preocupação. Em 2025, o CST registrou 1.541 incidentes antissemitas online, o maior número já registrado. O governo aponta a Lei de Segurança Online, de 2023, como ferramenta para responsabilizar plataformas e anunciou que a agência reguladora Ofcom está revisando a atuação das empresas diante de conteúdos de ódio e terrorismo.
Além das ameaças internas, Starmer destacou o risco representado por estados estrangeiros, especialmente o Irã, e prometeu acelerar legislação para dar mais poderes à polícia e inteligência contra atividades hostis. Em março, quatro homens foram presos por suspeita de espionagem para o Irã, e o Parlamento discute a classificação da Guarda Revolucionária Islâmica como organização terrorista.
O governo britânico afirma que novas medidas serão implementadas nas próximas semanas para combater ameaças e proteger a comunidade judaica, em meio à pressão por respostas mais efetivas diante da escalada do antissemitismo no país.

