Donald Trump declarou que pode retirar as tropas americanas da Itália e da Espanha e anunciou o aumento de tarifas sobre carros da União Europeia, aprofundando o distanciamento entre os Estados Unidos e seus principais aliados europeus em meio à guerra com o Irã.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que “provavelmente” retirará tropas americanas da Itália e da Espanha, justificando a medida pela falta de apoio desses países durante o conflito com o Irã. “Italy has not been of any help to us and Spain has been horrible. Absolutely horrible”, disse Trump, reforçando críticas à atuação dos aliados na guerra. Segundo dados do Departamento de Defesa dos EUA, em dezembro de 2025 havia 12.662 militares americanos na Itália e 3.814 na Espanha.
A reação italiana veio por meio do ministro da Defesa, Guido Crosetto, que declarou não compreender os motivos da ameaça e destacou que a Itália ofereceu missões de proteção marítima apreciadas pelos militares americanos. A Espanha, por sua vez, negou acesso a bases conjuntas e fechou o espaço aéreo a aviões dos EUA envolvidos no conflito, postura criticada por Trump desde março, quando ameaçou cortar laços comerciais com o país.
Trump também anunciou que aumentará para 25% as tarifas sobre carros e caminhões da União Europeia, acusando o bloco de não cumprir o acordo comercial firmado em julho do ano anterior. “Next week I will be increasing tariffs charged to the European Union for cars and trucks coming into the United States”, afirmou. O presidente do comitê de comércio do Parlamento Europeu, Bernd Lange, classificou a ameaça como “unacceptable” e pediu firmeza do bloco.
O agravamento das tensões ocorre em meio a uma crise energética e econômica na Europa, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio e pela interrupção do Estreito de Hormuz. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, relatou aumento de mais de 27 bilhões de euros na conta de importação de combustíveis fósseis em apenas 60 dias de guerra. O Fundo Monetário Internacional revisou para baixo as projeções de crescimento da zona do euro para 2026 e 2027.
Líderes europeus, como o primeiro-ministro britânico Keir Starmer e o chanceler alemão Friedrich Merz, criticaram a condução americana da guerra e alertaram para um “deep rift” nas relações transatlânticas. O secretário-geral da ONU, António Guterres, advertiu para o agravamento das consequências do conflito e pediu a reabertura do Estreito de Hormuz e diálogo para a paz.
As ameaças de Trump, somadas à deterioração das relações comerciais e militares, evidenciam um novo patamar de tensão entre os Estados Unidos e a Europa, com impactos diretos sobre segurança, economia e diplomacia globais.

