As taxas de juros no Brasil caíram nesta terça-feira (5) após a correção nos preços do petróleo e a percepção de que o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã seguirá em vigor. O contrato DI para janeiro de 2027 fechou em 14,15%, refletindo também o impacto da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) que sinalizou postura mais rígida no curto prazo.
A queda nos contratos futuros de petróleo, cerca de 4% na sessão, foi motivada por indicações de que o governo dos Estados Unidos manterá o cessar-fogo com o Irã, apesar dos ataques recentes no Estreito de Ormuz. O barril do Brent e do WTI permanecem acima de US$ 100, mas o ambiente externo mais calmo abriu espaço para alívio nas curvas globais de juros, beneficiando o mercado brasileiro.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que dois navios americanos já atravessaram o Estreito de Ormuz com escolta e estão seguros, o que reforçou a percepção de estabilidade na região. Essa melhora no cenário externo foi o principal fator para a redução das taxas de juros no Brasil, segundo Gustavo Okuyama, head de renda fixa da Porto Asset.
A ata do Copom, divulgada recentemente, também influenciou o formato da curva de juros. Apesar da queda generalizada nas taxas futuras, a postura ‘hawkish’ do Banco Central levou a uma redução maior no miolo da curva do que na ponta longa, indicando uma expectativa de que os juros básicos cairão menos no futuro. O documento destacou a desancoragem das expectativas inflacionárias em horizontes mais longos e o compromisso de combater os efeitos do choque do petróleo.
Okuyama avaliou que, embora o conflito no Oriente Médio tenha dominado as atenções, a ata do Copom teve papel importante na configuração da curva de juros brasileira, que apresentou inclinação com os vencimentos longos recuando menos que os intermediários. O Brasil segue em ciclo de redução da taxa básica de juros, o que também contribuiu para a descompressão maior dos contratos DI nesta terça-feira.

