O dólar caiu para R$ 4,91 nesta terça-feira (5), atingindo o menor valor desde 12 de janeiro de 2024. A queda foi impulsionada por temores de intensificação do conflito no Oriente Médio e declarações que reforçaram a expectativa de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã.
A moeda americana começou o ano cotada a R$ 5,49 e rompeu a barreira de R$ 5,00 em abril, seguindo em queda até atingir R$ 4,91 nesta terça-feira (5). Este é o menor valor desde 12 de janeiro de 2024, quando o dólar fechou em R$ 4,85. No pregão, a moeda recuou 1,12%, encerrando o dia a R$ 4,9119, próximo ao piso de R$ 4,90 registrado durante a tarde.
O enfraquecimento do dólar foi impulsionado pelos temores de intensificação dos conflitos no Oriente Médio, especialmente após relatos de ataques iranianos a instalações petrolíferas nos Emirados Árabes Unidos na segunda-feira (4). No entanto, declarações de autoridades dos Estados Unidos nesta terça reforçaram a expectativa de cessar-fogo com o Irã, reduzindo a aversão ao risco no mercado.
O economista-chefe da Group Holding USA, Fabrizio Velloni, afirmou que “o mercado experimentou um alívio hoje com a continuidade do cessar-fogo e até com relatos de passagem de alguns navios pelo Estreito de Ormuz”, destacando que a queda do petróleo diminuiu a aversão ao risco. Ele ressaltou que o Brasil está bem posicionado para lidar com o choque energético provocado pela guerra no Oriente Médio, devido à sua condição de exportador líquido de petróleo e ao peso das commodities na bolsa brasileira.
As cotações do petróleo tipo Brent recuaram, mas permaneceram acima de US$ 110 o barril. Autoridades dos EUA afirmaram que o Projeto Liberdade, anunciado por Donald Trump, está ligado apenas à liberação do fluxo de embarcações pelo Estreito de Ormuz, sem operações militares. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, informou que dois navios já atravessaram o estreito com escolta americana. Trump evitou detalhar o que configuraria uma violação do cessar-fogo e negou ataques iranianos contra navios sob proteção dos EUA, mas alertou que, sem consenso, os iranianos seriam “eliminados rapidamente”.
O real liderou os ganhos entre as moedas mais líquidas nesta terça, beneficiado pela combinação de melhora dos termos de troca, manutenção da taxa de juros atrativa, entrada de recursos estrangeiros na bolsa brasileira e provável internalização de recursos por exportadores. O encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump está marcado para quinta-feira (7) em Washington, nos Estados Unidos.

