O Grupo Pão de Açúcar (GPA) concluiu nesta terça-feira (5) a renegociação de sua dívida de cerca de R$ 4,6 bilhões com 57% dos credores não operacionais, reduzindo a pressão de caixa no curto prazo e melhorando seu perfil financeiro.
A reestruturação da dívida do GPA inclui dois anos de carência, alongamento relevante dos prazos e redução do custo financeiro. A companhia estima uma redução de mais de R$ 2 bilhões no endividamento e um alívio de caixa superior a R$ 4,5 bilhões nos próximos anos, ampliando a previsibilidade financeira e a capacidade de execução.
O acordo foi estruturado em três frentes: alongamento, conversão em capital e desconto para parte dos credores. Para os credores apoiadores, o GPA organizou uma emissão de aproximadamente R$ 2,6 bilhões, sendo R$ 1,5 bilhão em debêntures com carência de dois anos e amortização entre 2028 e 2031, e R$ 1,1 bilhão em instrumentos conversíveis em ações, com janelas de conversão previstas entre 2027 e 2031.
“Quando você combina essas três frentes, chega a uma dívida final próxima de R$ 2,1 bilhões, cerca de 45% do valor original”, explicou o diretor financeiro, Pedro Albuquerque. A dívida sujeita à recuperação passa a ter mais de 70% dos pagamentos concentrados a partir de 2031, reduzindo significativamente a necessidade de desembolsos no curto prazo.
O presidente do GPA, Alexandre Santoro, afirmou que a renegociação foi necessária para corrigir o descompasso entre a operação da companhia e o nível de endividamento acumulado. “A recuperação não era um objetivo em si, mas um instrumento para trazer a dívida para a realidade da empresa”, disse. Ele destacou que a nova estrutura financeira proporciona maior liquidez e capacidade de investimento.

