O Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a taxa Selic de 14,75% para 14,50% na reunião da semana passada e reforçou a necessidade de cautela nas próximas decisões devido à guerra no Oriente Médio.
Na ata divulgada pelo Banco Central, o Copom destacou que o cenário atual de forte incerteza exige serenidade na condução da política monetária. O conflito no Oriente Médio interrompeu a tendência de queda das expectativas de inflação, elevando os preços ao consumidor e ao produtor para níveis acima do esperado.
O ciclo de “calibração” da Selic teve início em março, quando a taxa foi reduzida de 15% para 14,75%, o primeiro corte em quase dois anos. A decisão de continuar reduzindo os juros é compatível com a estratégia de convergência da inflação para a meta ao longo do horizonte relevante, segundo o Copom.
Especialistas do BTG Pactual, Bradesco, Santander e Itaú Unibanco avaliaram a ata. O BTG apontou elementos mais “hawkish” em relação ao comunicado anterior, destacando a desancoragem das expectativas para 2028 e o compromisso de combater efeitos do choque do petróleo. O economista Marco Antonio Caruso, do Santander, indicou aumento do risco de pausa antecipada nos cortes da Selic, o que pode encurtar o ciclo de afrouxamento.
O Itaú Unibanco observou que o Copom parece confiante em continuar reduzindo a Selic, mas não pretende alterar o ritmo dos cortes nas próximas reuniões.


