A entrada de investidores estrangeiros na bolsa brasileira caiu 87,9% desde o recorde registrado em janeiro, segundo dados de abril compilados pela consultoria Elos Ayta. O saldo líquido de abril foi positivo em R$ 3,18 bilhões, marcando o terceiro mês consecutivo de recuo.
O saldo positivo acumulado no ano na B3 soma R$ 56,54 bilhões, mais que o dobro do total de 2025, que foi de R$ 25,47 bilhões. A queda na entrada de capital estrangeiro acompanha o aumento das tensões globais, especialmente o conflito no Oriente Médio, que já dura três meses. Inicialmente, o mercado apostava em um desfecho rápido, mas a resistência do Irã e a escalada dos ataques coordenados dos EUA e Israel mudaram o cenário.
Os dados indicam uma saída mais intensa de capital estrangeiro nos últimos dias de abril, com R$ 7,88 bilhões retirados entre os dias 22 e 30. Eivar Riveiro, CEO da Elos Ayta, afirma que o movimento sugere uma decisão coordenada de grandes investidores em curto espaço de tempo. Paulo Duarte, economista-chefe da Valor Investimentos, explica que essa saída é normal em momentos de incerteza, com investidores buscando ativos mais seguros, como títulos norte-americanos e dólar.
Beto Saadia, economista-chefe da Nomos, destaca que a recuperação das bolsas dos EUA, impulsionada por resultados positivos de empresas de tecnologia como Microsoft, Alphabet e Meta, também contribui para o retorno dos investidores a Wall Street. Ele acrescenta que o Federal Reserve tem mantido uma postura rígida em relação à inflação, o que influencia o comportamento dos mercados.
Segundo especialistas, a retomada dos investimentos estrangeiros no Brasil dependerá de sinais mais claros sobre o desfecho do conflito no Oriente Médio e seus impactos na economia global. Enquanto isso, o Brasil continua sendo visto como uma opção atrativa entre os mercados emergentes, especialmente devido à oferta de commodities e à sua neutralidade global.


