O governo brasileiro estudou reuniões anteriores do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para preparar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o encontro realizado em 7 de maio de 2026 na Casa Branca. A estratégia visou evitar constrangimentos e fortalecer o diálogo bilateral.
A reunião entre Lula e Trump ocorreu no Salão Oval da Casa Branca, com a participação do vice-presidente norte-americano, JD Vance, que permaneceu em silêncio durante toda a conversa. A preparação para o encontro levou meses, embora a data tenha sido proposta pelos EUA de última hora e aceita pelo Brasil para evitar um vácuo diplomático desde o último encontro na Malásia.
O principal tema do encontro foi o comércio bilateral, com Lula apresentando três eixos centrais: as sanções aplicadas pelos EUA a brasileiros, o combate ao crime organizado e a relação comercial entre os dois países. A investigação dos EUA sobre políticas brasileiras relacionadas ao Pix, tarifas comerciais e desmatamento, conhecida como Seção 301, concentrou boa parte da conversa. O governo brasileiro considera os argumentos norte-americanos frágeis e busca reduzir a margem para medidas unilaterais.
Brasil e EUA concordaram em criar grupos de trabalho para formalizar as negociações, proposta apresentada por Lula e aceita por Trump, ampliando a previsibilidade das tratativas. O Brasil tem agora 30 dias para negociar. Temas como Comando Vermelho, Primeiro Comando da Capital (PCC) e Pix não foram abordados, pois os EUA não os levantaram, decisão avaliada como positiva pelo governo brasileiro.
Além disso, o interesse dos EUA em minerais críticos ficou abaixo do esperado, sem assinatura de memorandos ou acordos concretos. Lula entregou a Trump uma cópia do Acordo de Teerã, firmado em 2010 entre Brasil, Turquia e Irã, sinalizando que negociações diplomáticas continuam possíveis em conflitos internacionais.


