O Brasil aumentou as importações de diesel da Rússia e dos Estados Unidos após o fechamento do Estreito de Ormuz em março. Em março e abril, o país importou US$ 1,76 bilhão em diesel, sendo 81,25% da Rússia e 6,42% dos EUA, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
As importações de diesel da Rússia mais que dobraram em dois meses, saltando de US$ 433,22 milhões em fevereiro para US$ 505,86 milhões em março e aproximando-se de US$ 1 bilhão em abril. Em março, o Brasil ainda importou diesel do Oriente Médio, com US$ 111,89 milhões dos Emirados Árabes Unidos e US$ 99,23 milhões da Arábia Saudita, mas essas compras cessaram com o agravamento do conflito e o fechamento do Estreito de Ormuz.
Para conter os efeitos da guerra sobre o preço do diesel, o governo federal adotou medidas como a concessão de R$ 10 bilhões em subsídios para importação e comercialização do combustível, além de zerar o PIS e a Cofins, o que impactou em R$ 20 bilhões a arrecadação federal. O corte dos impostos reduz o preço do litro em R$ 0,32 na refinaria, enquanto a subvenção aos produtores e importadores acrescenta mais R$ 0,32 por litro.
Em abril, a equipe econômica criou um programa para que os estados reduzam o ICMS sobre o diesel importado, com custo estimado de R$ 4 bilhões em dois meses, e anunciou uma subvenção extra de R$ 0,80 por litro para o diesel produzido no Brasil, com custo mensal estimado em R$ 3 bilhões. Apenas Rondônia não aderiu ao programa de redução do ICMS, que deve diminuir o preço do litro do diesel em R$ 1,20 na bomba.
Segundo o Ministério da Fazenda, as perdas com as desonerações foram compensadas pelo aumento na receita de royalties do petróleo, impulsionada pela alta do preço do barril no mercado internacional.

