Estudantes da Universidade de São Paulo (USP) mantêm a ocupação do prédio da reitoria há mais de 50 horas, sem previsão de encerramento, até que suas reivindicações, principalmente o aumento do auxílio-permanência, sejam atendidas.
O movimento estudantil, liderado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE), reúne entre 150 e 200 estudantes que se revezam em turnos para manter a greve, organizando atividades culturais e cuidando da limpeza do espaço ocupado. A mobilização começou em 14 de abril e se intensificou após a paralisação dos servidores da USP, que já encerraram sua greve após avanços salariais.
O reitor da USP, Aluísio Segurado, afirmou que não descarta recorrer à Justiça para reintegração de posse do prédio da reitoria, invadido pelos estudantes na tarde de 7 de maio. Ele destacou que, em 2023, uma ocupação semelhante exigiu ações jurídicas para liberar o espaço. Apesar disso, o reitor avalia que ainda não é o momento adequado para essa medida e aguarda os desdobramentos das assembleias estudantis previstas para a próxima semana.
Os estudantes exigem o reajuste do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE). Atualmente, o auxílio varia entre R$ 335 para estudantes em moradia estudantil e R$ 885 para auxílio integral. A USP propôs reajuste pelo índice IPC-FIPE, elevando o auxílio integral para R$ 912, mas os estudantes defendem o aumento para R$ 1.804, equivalente ao salário mínimo paulista.
Além do auxílio, os estudantes criticam a gestão do restaurante universitário, a moradia estudantil e a situação do Hospital Universitário, que perdeu cerca de 30% do quadro de funcionários na última década. A reitoria encerrou unilateralmente as negociações após a rejeição da proposta apresentada, o que aumentou a insatisfação dos grevistas.

