Kássio Nunes Marques assumiu a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta terça-feira (12), destacando o sistema eletrônico de votação brasileiro como um patrimônio institucional da democracia e o mais avançado do mundo na apuração dos votos.
A cerimônia de posse de Nunes Marques reuniu ministros, parlamentares, magistrados, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversários na disputa presidencial. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o presidente da Câmara, Hugo Motta, também participaram do evento, que ocorreu em auditório lotado por integrantes dos Três Poderes.
Durante o evento, Flávio Bolsonaro criticou a condução do TSE nas eleições de 2022, classificando-a como “lamentável” e pediu uma atuação “isenta” e “neutra” da Corte neste ano. Ao ser questionado sobre um possível encontro com Lula, disse que cumprimentaria o presidente sem problemas.
Como presidente do TSE, Nunes Marques pretende fortalecer a confiança no processo eleitoral por meio de medidas de transparência, como o protocolo que permite aos últimos eleitores acompanhar a emissão do boletim de urna. Ele também planeja realizar rodadas de diálogo com os Tribunais Regionais Eleitorais para garantir o pleno funcionamento das urnas e avançar na cibersegurança.
Outra prioridade da gestão será o combate ao uso indevido da inteligência artificial nas campanhas eleitorais. Nunes Marques foi relator das resoluções que proíbem a divulgação de conteúdos gerados por IA nas 72 horas que antecedem o pleito e determinam a identificação clara de materiais manipulados, como deepfakes. Ele também defende uma atuação menos intervencionista da Justiça Eleitoral, privilegiando instrumentos como o direito de resposta e atribuindo maior responsabilidade a candidatos e eleitores.
O mandato de Nunes Marques na presidência do TSE vai até maio de 2028, quando será sucedido pelo ministro André Mendonça, formando pela primeira vez uma cúpula da Corte eleitoral composta por dois ministros indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

