O Ministério Público de Santa Catarina concluiu que o cão Orelha não sofreu agressão humana e recomendou à Justiça o arquivamento da investigação sobre sua morte, ocorrida em janeiro na Praia Brava, Florianópolis.
O parecer final do MP-SC, divulgado nesta quarta-feira (13), associa a morte do cão Orelha a uma infecção óssea grave, osteomielite, identificada na região maxilar esquerda do animal. A investigação policial, que indicou um menor de idade como autor dos maus-tratos e pediu sua internação socioeducativa, foi contestada pelos promotores, que apontaram que a versão da agressão se baseou em boatos e comentários indiretos.
O MP destacou que a análise das câmeras de segurança não confirmou que o grupo de adolescentes suspeitos e o cão Orelha estiveram no mesmo local na madrugada das supostas agressões. Houve uma defasagem nos horários das imagens, e o cão estava a cerca de 600 metros de distância do grupo, o que afasta a tese de que compartilharam o mesmo espaço por aproximadamente 40 minutos, como indicavam os relatórios policiais.
Além disso, o laudo científico que identificou a infecção só foi produzido em fevereiro, 40 dias após o óbito, a partir de requisição do MP e após exumação do corpo do animal, já em decomposição. O documento afirmou ser plausível que o animal tenha sofrido trauma contundente, mas as provas afastaram a hipótese de traumatismo recente compatível com maus-tratos.
A Polícia Civil de Santa Catarina informou que atua de forma independente do Ministério Público e que as manifestações sobre o arquivamento do caso competem exclusivamente aos promotores. O ex-delegado-geral da Polícia Civil, Ulisses Gabriel, e o governador Jorginho Mello não se manifestaram sobre o parecer.

