Especialistas afirmam que a educação financeira para crianças deve ir além do ensino técnico e matemático, focando no desenvolvimento de consciência, responsabilidade e controle dos impulsos desde a infância.
O Ministério da Educação (MEC) recomenda que a educação financeira seja trabalhada de forma transversal nas escolas, porém, na prática, o tema é abordado de maneira superficial e limitada a conteúdos técnicos ou matemáticos. Segundo a especialista em educação financeira Lúcia Stradiotti, o ensino deve envolver mais do que economizar ou fazer contas, incluindo a compreensão de escolhas, consequências e limites.
Na infância, o aprendizado ocorre melhor por meio de experiências concretas e conversas simples no dia a dia, como explicar escolhas no supermercado, permitir que a criança organize a mesada e aprender a lidar com pequenas frustrações. A escola amplia o repertório, mas é em casa que o comportamento financeiro ganha significado prático.
O desafio maior, segundo especialistas, é ajudar as crianças a lidar com impulsos, ansiedade e desejo de pertencimento, mais do que formar investidores precoces. Em um cenário de dinheiro cada vez menos tangível, com pagamentos digitais, essa educação se torna ainda mais necessária.
Para apoiar esse processo, são recomendados livros como ‘Dinheiro em família’, de Thiago Godoy, que propõe passos para criar uma cultura financeira saudável no lar, e obras de Cássia D’Aquino, como ‘Dinheiro compra tudo?’ e ‘Ganhei um dinheirinho’, que abordam o tema para crianças, ensinando a administrar dinheiro e lidar com desejos e impulsos.

