Michelle Schneider afirmou nesta sexta-feira (15), no São Paulo Innovation Week, que a inteligência artificial não causa apenas demissões, mas elimina gradualmente cargos de entrada no mercado de trabalho, alterando o perfil profissional e os formatos de emprego.
A pesquisadora Michelle Schneider explicou que o principal impacto da inteligência artificial (IA) no mercado não está nos layoffs anunciados, mas no desaparecimento progressivo das funções para quem ingressa no mercado. Ela citou dados que indicam uma redução entre 20% e 30% nas contratações para cargos iniciais desde 2022, enquanto as empresas mantêm equipes menores apoiadas por IA.
Schneider destacou que a IA transforma empregos, ampliando capacidades humanas. Ela citou o “efeito do radiologista”, que mostra crescimento de 15% no número de radiologistas nos Estados Unidos desde 2016, apesar das previsões de substituição pela automação. A divisão do trabalho deve mudar, com profissionais dedicando mais tempo à supervisão e raciocínio estratégico, e menos à execução, que será automatizada.
Outro ponto abordado foi a valorização do profissional generalista criativo, com repertório amplo e capacidade de transitar entre áreas, em contraponto às carreiras lineares e especializadas. Além disso, o modelo tradicional de emprego fixo perde espaço para formatos flexíveis, como a gig economy, que reúne trabalhadores em múltiplos projetos e fontes de renda, seja de forma independente ou por plataformas digitais.
O São Paulo Innovation Week, realizado até esta sexta-feira (15) no Pacaembu e na Faap, reúne mais de 2 mil palestrantes em áreas diversas. O evento promove ainda atividades gratuitas em quatro Centros Educacionais Unificados da cidade, com debates e experiências imersivas.

