O físico e astrônomo Marcelo Gleiser defendeu nesta sexta-feira (16) a deselitização do conhecimento durante palestra no CEU Silvio Santos, na zona sul de São Paulo, dentro da programação do São Paulo Innovation Week (SPIW).
Durante o evento, que ocorre nos dias 16 e 17 em quatro unidades dos CEUs da capital paulista, Gleiser respondeu a perguntas de estudantes, como a de Lorena Oliveira, de 15 anos, sobre o que existia antes do Big Bang. O físico explicou que a ciência consegue descrever a expansão do universo a partir de frações de segundo após sua origem, mas ainda não há resposta definitiva para o instante zero. “A ciência não precisa ter todas as respostas para ser importante”, afirmou.
Gleiser ressaltou a importância de levar o conhecimento para toda a cidade, não apenas para os centros, e pediu que os estudantes se aproximassem do palco para tornar a conversa mais acessível. Ele explicou como telescópios espaciais evitam a poluição luminosa e a interferência da atmosfera, destacando que tecnologias desenvolvidas para a observação do cosmos são aplicadas no cotidiano, como em GPS e óptica.
O físico abordou temas como a origem da vida na Terra, a busca por vida extraterrestre e as condições extremas de planetas como Vênus e Marte. Sobre inteligência artificial, alertou para os riscos de uma relação passiva com as máquinas: “Uma coisa é usar a ferramenta para aprender e adquirir conhecimento. Outra é deixar as máquinas pensarem por nós”. Gleiser defendeu que sistemas de IA podem ampliar capacidades humanas, mas não substituem aspectos fundamentais da experiência humana, como empatia e sensibilidade.
Na conclusão, Gleiser destacou a evolução da visão humana sobre o universo, desde Galileu até Edwin Hubble, e afirmou: “Quanto mais aprendemos, menos centrais percebemos que somos”. Ele reforçou que a ciência permanece como a principal ferramenta para compreender o mundo, mesmo diante de perguntas sem resposta definitiva.

