O Brasil aprova o lecanemabe, medicamento capaz de retardar a progressão do Alzheimer, com lançamento previsto para junho após aprovação da Anvisa. A terapia é indicada para pacientes em fases iniciais da doença, especialmente com comprometimento cognitivo leve.
O lecanemabe, comercializado como Leqembi, representa uma mudança significativa no tratamento do Alzheimer ao atuar diretamente nos mecanismos biológicos da doença. Ele complementa o donanemabe, aprovado em abril de 2025, ambos pertencentes à classe dos anticorpos monoclonais antiamiloide.
Esses medicamentos não curam o Alzheimer nem recuperam completamente as funções cognitivas perdidas, mas retardam o avanço da doença, o que pode ter impacto importante para pacientes e famílias. O diagnóstico precoce torna-se fundamental, pois as terapias são indicadas para estágios iniciais ou comprometimento cognitivo leve, e muitos pacientes ainda chegam tardiamente ao especialista.
O tratamento exige critérios rigorosos, exames específicos para confirmação diagnóstica e monitoramento devido a possíveis efeitos adversos, como edema cerebral e micro-hemorragias. Além disso, o alto custo e a necessidade de estrutura especializada levantam questões sobre o acesso e a desigualdade no Brasil.
Especialistas apontam que a chegada dessas terapias marca o início de uma nova era na neurologia, com transição de uma abordagem paliativa para uma que modifica biologicamente a progressão do Alzheimer. O envelhecimento populacional torna urgente a discussão sobre saúde cerebral, diagnóstico precoce e políticas públicas para ampliar o acesso e a formação de especialistas.

