O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (17) que sua relação pessoal com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode ajudar a atrair investimentos americanos ao Brasil, evitar novas tarifas e garantir respeito à democracia brasileira.
Lula se encontrou com Trump no último dia 7 na Casa Branca. Durante entrevista ao The Washington Post, o presidente brasileiro destacou que, ao conseguir fazer Trump rir, acredita poder alcançar outros objetivos na relação bilateral. “Não dá para simplesmente desistir”, afirmou.
O presidente brasileiro entregou a Trump uma cópia do acordo nuclear de 2010, negociado por Brasil e Turquia com o Irã, que foi rejeitado pelos Estados Unidos e pela União Europeia. Segundo Lula, Trump disse que leria o documento, e ele se ofereceu para ajudar a facilitar o diálogo, embora não tenham discutido passos adicionais. O objetivo era mostrar que “não é verdade que o Irã esteja novamente tentando construir uma bomba atômica”.
Lula também abordou temas internacionais, reafirmando sua posição contrária à guerra com o Irã, discordando da intervenção americana na Venezuela e condenando o genocídio na Palestina. Ele ressaltou que essas divergências políticas não interferem na relação com Trump como chefe de Estado, e que espera ser tratado com respeito como presidente democraticamente eleito do Brasil.
Sobre a relação com o ex-presidente Jair Bolsonaro, Lula afirmou que não tenta criar divisão entre Trump e Bolsonaro, mas vê o estreitamento das relações com Trump como uma forma de neutralizar ações da família Bolsonaro no exterior. “Eu nunca pediria ao Trump para não gostar do Bolsonaro. Isso é problema dele”, disse. “Eu não preciso fazer esforço nenhum para ele saber que sou melhor que Bolsonaro. Ele já sabe disso.”

