O Ministério da Fazenda elevou nesta segunda-feira (18) a projeção oficial de inflação para 4,5% em 2026, no limite máximo da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A revisão reflete os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os preços do petróleo, que ultrapassaram US$ 110 por barril.
A Secretaria de Política Econômica (SPE) divulgou o Boletim Macrofiscal que atualiza as projeções econômicas para o ano. Apesar do aumento da inflação, a estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi mantida em 2,3% para 2026 e em 2,6% para 2027.
O documento destaca que o impacto da alta do petróleo será parcialmente compensado pela valorização do real e por medidas adotadas pelo governo para reduzir o repasse dos combustíveis ao consumidor. “Parte do impacto do choque nos preços do petróleo será contrabalanceada pelos efeitos do real mais apreciado, e por medidas mitigatórias adotadas pelo Governo Federal”, informa o relatório.
O relatório também prevê que o choque nos preços do petróleo pode aumentar a arrecadação do governo federal em cerca de R$ 8,5 bilhões por mês, considerando receitas de royalties, dividendos, Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e Imposto de Exportação ligados ao setor petrolífero.
O Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, que orienta a execução do Orçamento federal com indicações de bloqueios e contingenciamentos, será enviado ao Congresso na próxima sexta-feira (22). A Secretaria de Política Econômica mantém a avaliação de que a atividade econômica deve desacelerar nos próximos trimestres devido à política monetária restritiva, com recuperação gradual no fim do ano.

