O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta terça-feira (19) que o problema do Banco Master não estava no passivo, mas no uso dos recursos captados com garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Ele detalhou mudanças nas regras do FGC para evitar que outras instituições adotem o mesmo modelo.
Galípolo explicou que o Banco Central aumentou a contribuição para instituições cujo passivo garantido pelo FGC ultrapassa determinado percentual e criou um índice de liquidez que limita os ativos elegíveis como colateral a ativos típicos de bancos de varejo, como crédito imobiliário e agro, excluindo ativos de hedge funds ou gestores de fundos estressados.
Desde 2025, o BC liquidou 13 instituições financeiras, enfrentando dificuldades para encontrar novos liquidantes. Sobre o Banco Master, o banqueiro Daniel Vorcaro propôs uma autoliquidação, transferindo o banco para investidores árabes desconhecidos do BC, após a negativa da compra pelo Banco de Brasília.
O Banco Central afastou dois ex-funcionários, Paulo Souza e Belline Santana, após auditoria e sindicância que investigam suspeitas de dolo. Os casos estão sob análise da Controladoria-Geral da União e da Polícia Federal. Galípolo classificou o afastamento como um dos fatos mais graves da história da autarquia.
O presidente do BC ressaltou que o Master, um banco do segmento 3, não apresentava risco sistêmico, e que a governança é o caminho para prevenir casos semelhantes. Ele também destacou a publicação de um novo código de conduta que prevê automação de processos e decisões colegiadas, embora reconheça a dificuldade causada pela defasagem no quadro de servidores.

