A fabricante de brinquedos Estrela informou que reduziu seu quadro de funcionários de cerca de 10 mil na década de 1980 para 1,5 mil atualmente e protocolou pedido de recuperação judicial em 19 de maio para negociar R$ 109,1 milhões em dívidas. A empresa mantém operações em três estados e o sindicato garante que não haverá demissões.
A Estrela afirmou no pedido de recuperação judicial que a redução do quadro de funcionários foi uma “medida extrema, porém indispensável à preservação mínima da atividade empresarial”. Atualmente, a empresa conta com 1,5 mil trabalhadores distribuídos nas unidades de Itapira (SP), Três Pontas (MG) e Ribeirópolis (SE), sendo cerca de 500 em Itapira, conforme a presidente do sindicato local, Maria Auxiliadora dos Santos.
O pedido de recuperação judicial, protocolado em 19 de maio, visa renegociar R$ 109,1 milhões em dívidas, incluindo R$ 3,2 milhões trabalhistas. A medida busca reorganizar o endividamento, preservar a continuidade das operações e manter empregos, segundo a companhia.
Maria Auxiliadora afirmou que a Estrela garantiu ao sindicato e aos trabalhadores que não haverá demissões, atrasos salariais ou cortes de benefícios. Ela destacou a apreensão dos funcionários e a realização de uma assembleia na manhã de 22 de maio em Itapira para esclarecer a situação.
A crise da Estrela reflete dificuldades do setor de brinquedos, como a abertura comercial dos anos 1990, que aumentou a concorrência com produtos asiáticos, queda de faturamento, mudanças nos hábitos de consumo, concorrência desleal e juros elevados. O sindicato aponta que o número de trabalhadores no setor em São Paulo caiu de 45 mil para 4,5 mil desde os anos 1990.


