Cerca de 2.000 municípios brasileiros estão sob risco de deslizamentos e inundações, mas a maioria não possui os instrumentos básicos para proteção, segundo pesquisa do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) divulgada nesta segunda-feira (24).
O estudo aponta que 75% das cidades com risco possuem menos da metade dos planos e mapeamentos obrigatórios, e 91% não têm o plano de obras necessário para reduzir os riscos. A situação é mais crítica no Nordeste, onde as prefeituras enfrentam limitações financeiras e estruturais para lidar com calamidades, que aumentam com as mudanças climáticas.
Publicado na Revista Brasileira de Geografia, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o trabalho foi liderado por André Luiz Martins Cotting, mestrando do Cemaden e bolsista da Fapesp. Ele destacou que os municípios prioritários enfrentam desafios para implementar a gestão de riscos na prática e que é necessário fortalecer suas capacidades para aplicar os instrumentos de proteção.
Dos 267 municípios prioritários analisados, 13% não possuem defesa civil municipal. Além disso, 63% contam com mapeamentos de riscos para inundações, enquanto 45% têm mapeamentos para deslizamentos. Planos mais complexos, como o de implantação de obras para redução de riscos, estão presentes em menos de 9% das cidades.
Victor Marchezini, pesquisador do Cemaden, afirmou que o estudo tem gerado repercussão relevante e está disponível em português com acesso gratuito, facilitando o uso por gestores públicos e parlamentares para prevenção de desastres.


