Um estudo coordenado pela UTFPR em parceria com a Embrapa Gado de Leite e a Sooro Renner Nutrição mapeou a pegada de carbono do soro de leite em pó no Brasil, abrangendo produção, transporte e processamento industrial. A análise usa Avaliação de Ciclo de Vida (ACV) e disponibiliza dados abertos para fomentar práticas sustentáveis.
A pesquisa adotou uma abordagem sistêmica inédita no país, conectando múltiplas etapas da cadeia produtiva do soro de leite, desde a criação do gado até a industrialização do whey protein. Segundo o professor Fábio Puglieri, da UTFPR, a metodologia permite identificar os principais pontos de emissão de gases de efeito estufa no setor.
O estudo foi dividido em duas fases: a primeira focou na produção primária do leite com fornecedores da Sooro, e a segunda na indústria e transporte, com coleta de dados primários dos processos industriais. A analista da Embrapa Gado de Leite, Vanessa Romário de Paula, afirmou que o projeto representa um avanço para a transparência ambiental e eficiência produtiva da cadeia láctea brasileira.
Os Inventários de Ciclo de Vida (ICV) do soro foram disponibilizados gratuitamente na plataforma SICV Brasil, gerida pelo Ibict, para uso por pesquisadores, indústrias e órgãos governamentais. O projeto está alinhado a compromissos internacionais, como a Agenda 2030 da ONU e o Compromisso Global de Metano, que prevê redução de 30% das emissões até 2030.
Historicamente, o soro de leite representa um desafio ambiental devido à sua alta carga orgânica, que pode causar desequilíbrios em ecossistemas aquáticos. A transformação do soro líquido em pó reduz riscos ambientais e aproveita nutrientes valiosos, contribuindo para a sustentabilidade operacional do setor, conforme explicou o pesquisador Thierry Ribeiro Tomich, da Embrapa.


