O Rio Araguaia é o último grande rio livre do Cerrado brasileiro e abriga peixes gigantes como a piraíba e a pirarara. Pesca predatória, desmatamento e a presença do tambaqui, espécie não nativa, ameaçam o equilíbrio do ecossistema.
O Rio Araguaia corre livre por milhares de quilômetros, sem barragens, e é um santuário da biodiversidade aquática do Cerrado. Espécies emblemáticas como a piraíba, que pode ultrapassar dois metros, a pirarara, o jaú, a cachara, o barbado, a matrinxã, o tucunaré e a aruanã habitam suas águas.
Apesar da riqueza natural, o rio enfrenta pressão da pesca predatória, desmatamento das margens, assoreamento acelerado e avanço das atividades humanas. O tambaqui, espécie não nativa, tem aparecido em abundância, possivelmente por escapes de pisciculturas há cerca de 15 anos, e pode causar impactos ecológicos graves, como predação e competição com espécies nativas.
Nos últimos 30 anos, o Araguaia perdeu entre 35% e 40% da superfície de água devido a assoreamento, retirada ilegal de água, poluição por agrotóxicos e desmatamento da mata ciliar. Pescadores locais atuam como fiscais, denunciando práticas ilegais. O projeto Araguaia Vivo, iniciado em 2023, reúne cerca de 200 cientistas e implementa monitoramento participativo da pesca.
O pesquisador da Universidade Estadual de Goiás, Fabrício Barreto Teresa, destaca a importância de um esforço coletivo para conservar o rio, que sustenta a pesca esportiva, o turismo e a biodiversidade, incluindo espécies únicas como o peixe elétrico Poraquê, com descarga de 850 volts.


