No século XIX, o Campo de Santana, no Rio de Janeiro, era palco da Festa do Divino Espírito Santo, uma das maiores manifestações religiosas e populares da cidade, com folias, música e coroações simbólicas organizadas pela Irmandade de Santana.
A Festa do Divino Espírito Santo, centrada no Pentecostes, ocorria entre maio e julho e envolvia a instalação de um “império” com pavilhão e capelinha onde o Imperador do Divino, geralmente uma criança, recebia homenagens. A celebração atraía multidões e contava com a presença dos vice-reis, conferindo um caráter quase monárquico e popular.
Artistas estrangeiros, como Jean-Baptiste Debret, registraram cenas da festa, destacando a devoção popular nas ruas do Rio. Após a chegada da Corte portuguesa em 1808, o espaço do Império do Divino foi demolido para uso militar, mas a festa continuou com impérios provisórios.
A partir de 1837, o poder público passou a exigir licença para barracas durante a festa, buscando controlar tumultos. Com o tempo, o Campo de Santana perdeu seu caráter religioso devido à instalação de edifícios militares, administrativos e ferroviários. A igreja de Santana foi demolida em 1855 e transferida para outra rua.
Hoje, Pentecostes no Rio é celebrado principalmente nas igrejas, mas no passado a festa unia fé, música e multidão em um evento urbano e simbólico que marcava a identidade católica e popular da cidade.


