A indústria de defensivos agrícolas projeta margens apertadas e um ano mais difícil em 2026 devido ao aumento dos custos de produção, crédito rural mais caro e preços deprimidos das commodities, segundo representantes do setor.
O vice-presidente do Sindiveg e executivo da Ihara afirmou que o ambiente para o setor não é favorável e que 2026 pode ser pior que 2025. Os custos de fertilizantes, combustíveis e fretes subiram, enquanto os preços das commodities não acompanharam a alta. Os preços dos defensivos estão nos níveis mais baixos da história após recuo significativo pós-pandemia.
A escalada das tensões no Oriente Médio elevou os custos de matérias-primas, com aumentos de até 40% em cerca de 30 ativos, incluindo o glifosato. O repasse desses custos aos produtores deve ocorrer gradualmente, pois parte das compras ainda aproveitou estoques antigos. Não há problemas globais de oferta, segundo diretor da Syngenta.
O crédito rural está mais restrito, com maior disputa por garantias e custo elevado, dificultando o pagamento pelos produtores. A inadimplência dobrou entre 2024 e 2025 e voltou a dobrar no primeiro trimestre de 2026. A valorização do real frente ao dólar também preocupa o setor, que enfrenta margens pressionadas em toda a cadeia do agronegócio.
O ritmo de compras para a safra 2026/27 está entre 30% e 35%, acima do ano passado, mas abaixo da média histórica. Preços da soja e do milho caíram significativamente nos últimos três anos, enquanto os custos de insumos aumentaram.

