O estilo heroin chic, marcado por maquiagem borrada, corpo magro e cigarro como acessório, voltou a aparecer em 2026 nas passarelas e redes sociais. A tendência reflete o esgotamento coletivo diante da pressão por performance e padrões de beleza impostos pelo movimento wellness, segundo especialistas.
Na Times Square, em Nova York, a Gucci apresentou sua coleção cruise 2027 com maquiagem dramática e olhos pretos borrados. Na Semana de Moda de Milão, a Prada exibiu modelos com aparência cansada e desarrumada, reforçando a volta do estilo heroin chic, que foi popular nos anos 1990.
O estilista e crítico de moda Dudu Bertholini afirmou que essa estética é uma crônica visual do esgotamento coletivo causado pela ansiedade e depressão, que exigem uma vida impecável nas redes sociais, pautada por dietas restritivas e rotinas exaustivas de cuidados pessoais.
A professora Patrícia Diniz, da ESPM, explicou que crises econômicas e instabilidade social tendem a gerar estéticas menos polidas, como o retorno do heroin chic em um contexto de inflação e desencanto com a vida online. O cigarro, segundo ela, aparece mais como um objeto cênico do que um hábito, simbolizando uma atitude hedonista diante do futuro incerto, conforme análise da especialista em tendências Iza Dezon.
Dezon também comentou que a aceleração do tempo nas redes sociais provoca desconexão com o corpo e o momento presente, intensificando o cenário de ansiedade que a moda expressa visualmente.

