Os fundos de investimento em direitos creditórios do agronegócio (Fiagros) captaram R$ 3,957 bilhões nos quatro primeiros meses de 2026, alta de 128% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo a Anbima. A retomada ocorre em meio à oferta reduzida de crédito bancário ao setor, que enfrenta riscos elevados e custos maiores.
A captação dos Fiagros em 2026 resultou de 36 operações, mais que o dobro das 15 registradas em igual período de 2025. Em maio, a Suno Asset captou R$ 307 milhões para o fundo Suno Agro Fiagro, elevando seu patrimônio para R$ 900 milhões, posicionando-o entre os quatro maiores da B3. A JiveMauá também está próxima de concluir captação de R$ 400 milhões, e o segmento deve alcançar cerca de R$ 50 bilhões em patrimônio.
O cenário de restrição de crédito bancário decorre do temor de inadimplência crescente no campo e do aumento dos custos de insumos e combustíveis, agravados pela guerra no Irã. Para proteger investidores, a maioria dos fundos adotou estruturas de subordinação, com cotas sênior e subordinada, que permitem maior segurança e potencial de ganhos.
Especialistas da XP Asset e Asset Bank afirmam que, apesar do ambiente complexo e da eleição presidencial no segundo semestre, os Fiagros continuam atrativos devido à rentabilidade e à seleção rigorosa dos ativos. A Suno Asset destaca que seu fundo não registra inadimplência desde 2022 e planeja novas emissões focadas em projetos de longo prazo, como irrigação e armazenamento.
A gestora Valora captou R$ 662 milhões em março para seu fundo Agro Pré, que conta com 12 mil cotistas e estrutura de subordinação, refletindo maior interesse dos investidores em fundos ligados ao agronegócio diante da redução do crédito bancário.

