O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) negou nesta segunda-feira (25) o acordo de delação premiada com um ex-auditor fiscal que lidera investigação sobre esquema bilionário de ICMS envolvendo grandes varejistas. A recusa ocorreu após a descoberta de omissões graves sobre patrimônio, incluindo propinas e criptoativos.
O Grupo de Atuação Especial de Repressão aos Direitos Econômicos (Gedec) barrou a colaboração do ex-auditor fiscal devido à ocultação de informações cruciais, como o recebimento de mais de R$ 152 milhões em propinas da rede Fast Shop durante 2025 e a posse de 277 bitcoins avaliados em mais de R$ 100 milhões. Ele cumpre prisão preventiva desde agosto de 2025, quando foi deflagrada a Operação Ícaro.
A defesa do investigado acusa a Promotoria de usar um artifício ardiloso para extrair confissões e alega que os 33 dossiês sigilosos produzidos sob pressão não poderiam ser usados caso a delação fosse negada. O Ministério Público, por sua vez, nega irregularidades e afirma que as provas contra as empresas são resultado de investigações independentes, baseadas em quebras de sigilo bancário, relatórios fiscais e mensagens do celular do réu.
O Tribunal de Justiça de São Paulo já rejeitou parte dos argumentos da defesa em habeas corpus analisado neste mês. O MP-SP esclarece que os dados sobre pagamentos ilegais também surgiram em acordo de não persecução penal firmado pela direção da Fast Shop.


