Maximo Torero, economista-chefe da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, alertou nesta terça-feira (26) que a crise nos fertilizantes, agravada pelo fechamento do Estreito de Ormuz, pode elevar os preços globais dos alimentos em poucos dias.
Os preços do gás natural, principal insumo para a produção de fertilizantes nitrogenados, subiram entre 65% e 80% acima dos níveis pré-crise, elevando os custos para os agricultores. Como consequência, os preços dos alimentos aumentaram 55% globalmente, segundo Torero.
O economista destacou que, se o fechamento do Estreito de Ormuz se estender por mais de 90 dias, os agricultores poderão tomar decisões permanentes que reduzirão a oferta de grãos em 2027, tornando a inflação alimentar um problema persistente.
Além disso, a alta nos preços do petróleo e do gás natural eleva os custos de transporte, pressionando ainda mais os preços ao consumidor. O índice de sentimento do consumidor nos Estados Unidos caiu para 49,8 em abril, indicando um cenário recessivo.
Torero recomendou que os governos ofereçam apoio financeiro aos agricultores, similar ao adotado durante a pandemia de Covid-19, para evitar a redução no uso de fertilizantes. Recentemente, 33 navios-tanque passaram pelo Estreito de Ormuz, aliviando parcialmente a pressão na oferta.


