Um estudo divulgado nesta terça-feira (26) mostra que cerca de 50% dos estudantes do 9º ano do ensino fundamental e do 3º ano do ensino médio no Brasil não percebem debates sobre desigualdades raciais em sala de aula, apesar das leis que obrigam o ensino da história e cultura africana, afro-brasileira e indígena.
A pesquisa “Desigualdade racial na Educação Básica: a percepção de estudantes e professores a partir do Saeb 2023” foi realizada em parceria entre o Núcleo de Pesquisa Afro do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), os institutos Alana e Geledés, e revelou que a educação antirracista ainda não se consolidou como experiência reconhecida nas escolas brasileiras.
Segundo a socióloga Flávia Rios, professora da Universidade de São Paulo (USP) e pesquisadora do Cebrap, a legislação antirracista tem sido aplicada de forma irregular, dependendo de iniciativas isoladas de secretarias educacionais e do Ministério da Educação. Ela destaca que, apesar dos avanços, a universalização e a consistência transdisciplinar da lei ainda não foram alcançadas.
O estudo também aponta um descompasso entre a percepção dos professores e dos estudantes: enquanto mais de 80% dos docentes afirmam abordar as desigualdades raciais frequentemente, menos da metade dos alunos reconhece essa abordagem. A percepção de ausência do tema é maior em escolas privadas do que na rede pública.
Pesquisadores recomendam monitoramento contínuo, formação continuada de professores, ampliação da diversidade racial no corpo docente e uso de materiais pedagógicos com intencionalidade para fortalecer a educação antirracista. Também ressaltam a importância do diálogo entre escolas e famílias para combater o racismo.

