O Brasil teve em 2024 a menor taxa de homicídios desde 1998, com 20,1 casos por 100 mil habitantes, segundo o Atlas da Violência 2026 divulgado nesta terça-feira (26). Apesar da queda de 7,4% em relação a 2023, os homicídios ocultos quase dobraram, dificultando o combate à violência.
O estudo anual do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) mostrou que o país registrou 42.590 homicídios em 2024, queda de 6,9% em números absolutos. A análise considerou dados do Ministério da Saúde (MS) e revelou que, entre 2014 e 2024, a taxa nacional caiu 33,4%.
O Amapá foi o único estado com aumento expressivo da taxa e do número de homicídios no período. Em 2024, as menores taxas oficiais ocorreram em São Paulo (6,6), Santa Catarina (8,1) e Distrito Federal (10,3), enquanto as maiores foram no Amapá (45,7), Bahia (40,9) e Pernambuco (37,3).
O Atlas destacou o crescimento das Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI), que somaram 3.311 casos em 2024, aumento de 23,8%. Entre essas, 7.083 foram classificadas como homicídios ocultos, quase o dobro do ano anterior, representando 14,3% dos homicídios estimados.
O coordenador do Atlas, Daniel Cerqueira, explicou que a subnotificação dificulta o combate à violência e está relacionada à falta de integração entre saúde e polícia. O aumento dos homicídios ocultos indica desafios para a segurança pública, apesar da redução histórica dos homicídios oficiais.


