Grandes empresas brasileiras enfrentam dívidas elevadas e reestruturações, mas investidores estrangeiros veem oportunidades em um mercado historicamente descontado, segundo gestores.
Grandes companhias listadas na Bolsa brasileira enfrentam forte pressão financeira, com dívidas elevadas e reestruturações pesadas. Christian Keleti, da Alpha Key, alertou que cinco ou seis grandes empresas dominantes apresentam problemas sérios de dívida, incluindo reestruturações com cortes significativos.
O cenário de juros altos, próximo de 14% ao ano, pressiona projetos financiados e obriga empresários a vender ativos relevantes para honrar dívidas, algo raro no mercado. Bruno Serra, gestor da Itaú Asset, apontou que o governo atual não conseguiu ancorar as expectativas de inflação de longo prazo, o que dificulta o alongamento do ciclo de juros.
Andrew Reider destacou o endividamento das famílias brasileiras, com 30% da renda comprometida no serviço da dívida, o que preocupa investidores estrangeiros. Apesar disso, setores da Bolsa estão próximos do piso de múltiplos dos últimos cinco anos, indicando desconto e oportunidades.
Keleti citou a Mills e a Localiza como exemplos de empresas com potencial, mesmo em meio ao cenário adverso, ressaltando que a atenção internacional para os valuations brasileiros permanece alta.


