O otimismo nas negociações entre Estados Unidos e Irã cedeu nesta terça-feira (26), após Teerã acusar Washington de violar o cessar-fogo. A taxa longa de juros no Brasil subiu quase 10 pontos base, refletindo incertezas geopolíticas e pressões inflacionárias.
A taxa de depósito interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 subiu para 14,065%, de 14,006% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2029 avançou a 13,815%, de 13,674%, e o para janeiro de 2031 fechou em 13,895%, ante 13,801% na segunda-feira. O aumento ocorre em meio a acusações do Irã contra os EUA por ações ilegais contra embarcações comerciais no Golfo Pérsico.
O mercado passou a precificar maior probabilidade de fechamento prolongado do estreito de Ormuz, importante rota de petróleo, devido a confrontos recentes. Isso eleva o risco de alta nos preços da energia, pressionando a inflação e limitando espaço para cortes na taxa Selic.
Apesar de 84% dos operadores ainda apostarem em corte de 0,25 ponto na Selic em junho, casas revisam para uma taxa terminal mais alta, próxima a 14% ao fim de 2026. O Citi projeta Selic em 13,75%, citando tom mais duro do Copom e desancoragem das expectativas de inflação.
O economista-chefe da Porto Asset, Felipe Sichel, afirmou que a alta do petróleo Brent, que fechou a US$ 99,58 por barril, e o câmbio acima de R$ 5 dificultam a redução dos juros pelo Banco Central, pois deixam de contribuir para a queda da inflação.


