A proposta de fim da escala 6×1 prevê reduzir a jornada de 44 para 40 horas semanais sem redução salarial, com implementação em até 14 meses, segundo parecer parlamentar. Pesquisador da FGV alerta que medida pode elevar custos e afetar mercado de trabalho.
Fernando de Holanda Barbosa Filho, pesquisador do FGV Ibre, afirmou que a redução da jornada sem ganhos de produtividade tende a aumentar os custos das empresas e a rotatividade dos trabalhadores. Segundo ele, a medida representa um aumento de cerca de 10% no valor da hora trabalhada.
O especialista explicou que o aumento do custo pode levar as empresas a substituir trabalhadores mais caros por outros mais baratos, o que pode reduzir o salário mensal mesmo com elevação do salário por hora. Trabalhadores que recebem comissão podem ser ainda mais afetados, pois as comissões tendem a cair com a diminuição das horas trabalhadas.
Além disso, o pesquisador alertou para o risco de aumento da informalidade, já que trabalhadores cujo custo se aproxime do limite de sua produtividade podem perder o vínculo formal. O aumento dos custos de produção também pode ser repassado aos preços finais, pressionando a inflação.
Fernando de Holanda Barbosa Filho destacou que a baixa produtividade do trabalhador brasileiro, estimada em US$ 21,17 por hora pela OIT, é resultado de fatores estruturais e que a redução da jornada não é causa da riqueza dos países, mas consequência do aumento da produtividade e da demanda por lazer.


