A violência sexual corresponde a 45,5% das notificações de agressão contra meninas de 10 a 14 anos no Brasil em 2024, segundo o Atlas da Violência 2026 divulgado nesta terça-feira (26) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e Ipea.
As notificações de violência sexual contra crianças e adolescentes aumentaram em todas as faixas etárias entre 2023 e 2024. Na primeira infância (0 a 4 anos), os casos subiram de 7.315 para 7.845. Entre crianças e pré-adolescentes (5 a 14 anos), a faixa mais vulnerável, os registros passaram de 26.125 para 29.135. Já entre adolescentes (15 a 19 anos), houve aumento de 6.124 para 6.869 casos.
Entre 2014 e 2024, o número de notificações quadruplicou, revelando uma crise de proteção infantojuvenil que atinge principalmente meninas. Em 2024, 86,9% das vítimas são do sexo feminino, contra 13,1% de meninos, o que indica que a violência sexual está ligada a relações de poder e normas sociais que fragilizam as meninas desde a infância.
O ambiente doméstico é o principal cenário da violência não letal contra crianças, com 67,3% das agressões contra crianças de 0 a 4 anos ocorrendo dentro de casa entre 2014 e 2024. Mesmo na adolescência, a residência é local de quase metade (49%) das notificações. A autoria geralmente é de pessoas do círculo íntimo da vítima, dificultando o reconhecimento e a denúncia dos crimes, segundo Juliana Brandão, coordenadora temática do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.


