Uma pesquisa inédita do ChildFund Brasil mostrou que agressores usam jogos on-line, redes sociais e aplicativos de mensagem para aliciar adolescentes. O estudo, divulgado em seminário na Câmara Municipal de São Paulo, traz entrevistas com vítimas e agressores e aponta falhas no conhecimento sobre denúncias.
O levantamento faz parte da terceira fase do estudo “Mapeamento dos Fatores de Vulnerabilidade de Adolescentes Brasileiros na Internet” e revela que 72% das meninas de 16 e 17 anos foram expostas a conteúdos sensíveis online. Segundo o estudo, os abusadores exploram relações de confiança, falta de supervisão e ambientes digitais frequentados diariamente por adolescentes para se aproximar das vítimas.
O estudo foi realizado ao longo de três anos, com 8.436 adolescentes entre 13 e 18 anos em todas as regiões do país, além de grupos focais em Minas Gerais e Ceará. A pesquisa também identificou que 94% dos adolescentes não sabem como denunciar violência sexual on-line.
Mauricio Cunha, presidente executivo do ChildFund, afirmou que a violência sexual on-line contra crianças e adolescentes exige respostas integradas entre Estado, famílias, escolas, sociedade civil e empresas de tecnologia. “O estudo reforça a urgência de olhar para a violência sexual on-line como um fenômeno complexo, que exige respostas articuladas”, disse.

