Pesquisadores da Universidade de Tohoku, no Japão, demonstraram que a aplicação de micro-asperezas distribuídas na superfície pode reduzir o arrasto aerodinâmico em até 43,6%. A descoberta desafia o princípio tradicional de que superfícies devem ser lisas para minimizar a resistência do ar em veículos de alta velocidade.
O arrasto aerodinâmico é um dos principais obstáculos para a eficiência de aviões, automóveis e trens de alta velocidade, pois superfícies com menor resistência permitem maior velocidade com menor consumo de energia. Tradicionalmente, a engenharia aerodinâmica considera que a superfície dos veículos deve ser lisa para evitar a transição do fluxo laminar para o turbulento, que aumenta o arrasto.
Desde 1940, o estudo do aerodinamicista Ichiro Tani estabeleceu que a aspereza da superfície favorece a transição para o fluxo turbulento, limitando a eficiência. Contudo, em 1989, Tani revisitou dados antigos e sugeriu que a aspereza poderia, em certas condições, retardar essa transição.
Na década de 1990, o grupo liderado por Yasuaki Kohama, da Universidade de Tohoku, comprovou experimentalmente que superfícies com irregularidades fibrosas podem atrasar a transição para o fluxo turbulento. Recentemente, a equipe da professora associada Aiko Yakino avançou essa linha de pesquisa ao demonstrar que micro-asperezas distribuídas (DMR) reduzem o arrasto em até 43,6%.
Diferente da tecnologia conhecida como processo rivulet, que imita as ranhuras da pele de tubarão para alinhar vórtices em fluxo turbulento, o DMR atua retardando a mudança do fluxo laminar para o turbulento por meio de irregularidades aleatórias e microscópicas. Essa descoberta pode impactar significativamente a eficiência energética e o desempenho de veículos de alta velocidade.

