O ouro perdeu força nos últimos dias após subir mais de 30% em um ano. O mercado acompanha com cautela os desdobramentos da guerra no Oriente Médio, que influenciam a valorização do metal, segundo o economista Thiago Calestini.
O economista e sócio da Don Investimentos, Thiago Calestini, afirmou que o ouro continua sendo um dos principais ativos defensivos e costuma se valorizar em períodos de tensão geopolítica. Ele explicou que o metal teve valorização intensa no fim de 2025 e início de 2026, e o mercado ainda absorve a desmontagem de posições acumuladas naquele período.
Calestini destacou que investidores temiam uma venda coordenada que pudesse comprometer a percepção do ouro como proteção. Sobre o conflito entre Irã e Estados Unidos, ele afirmou que o cenário segue indefinido e comparou a situação a um “conflito de Schrödinger”.
O economista avaliou que um eventual fim da guerra reduziria a pressão positiva sobre o ouro, que poderia perder os níveis atuais de preço, próximos de US$ 4.300 a US$ 4.400 por onça. Por outro lado, se o conflito se prolongar, o metal pode voltar a ganhar força devido à pressão inflacionária causada pela alta do petróleo.
Calestini ressaltou que o ouro funciona como proteção contra inflação e que bancos centrais aumentaram reservas em ouro diante da incerteza da política econômica dos Estados Unidos. Ele também afirmou que o ouro não depende diretamente da política econômica de um país, diferentemente do dólar, e que mantém relações econômicas mais compreensíveis que as criptomoedas, que ainda carecem de histórico e previsibilidade.


