A cúpula do partido Novo avalia romper politicamente com o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, depois de uma sequência de críticas públicas dele ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Dirigentes e pré-candidatos ligados ao bolsonarismo discutiram a ruptura em reuniões reservadas nos últimos dias, segundo a imprensa.
As reuniões ocorreram a portas fechadas e contaram com dirigentes nacionais do Novo, parlamentares e aliados de Zema. O objetivo era conter o desgaste provocado pelas manifestações do ex-governador contra Flávio. Integrantes da ala conservadora afirmam que Zema ultrapassou o limite ao transformar o senador em alvo frequente de críticas. A crise se agravou depois de Zema divulgar um vídeo criticando Flávio, após a divulgação de áudios e mensagens atribuídos ao senador e a um empresário por veículos de comunicação.
Na ocasião, Flávio teria pedido recursos ao empresário para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A avaliação no partido, porém, é que o desgaste não se restringe a esse episódio, mas ao comportamento reiterado de Zema. Integrantes do Novo ligados ao bolsonarismo passaram a acusar Zema de alimentar críticas a Flávio e de ser usado por setores da imprensa como instrumento de desgaste político contra o senador, enquanto sua própria agenda perdeu espaço.
A ala conservadora também argumentou que diversos políticos migraram para o Novo após receber garantias de que não haveria rompimento com o bolsonarismo. Com as críticas de Zema, a promessa teria sido quebrada. O desconforto é maior em Estados onde o Novo depende de alianças com o PL, como no Paraná, onde se articula um palanque conjunto com Sergio Moro (PL) para o governo e Deltan Dallagnol (Novo) e Filipe Barros (PL) para o Senado, num acordo que prevê apoio à candidatura presidencial de Flávio. Um pré-candidato a deputado federal lidera articulações para manter a proximidade entre as legendas.
Segundo lideranças do Novo, Zema recebeu alertas de que suas críticas prejudicam candidatos bolsonaristas e podem comprometer o esforço do partido para atingir a cláusula de barreira nas eleições de 2026. Durante as reuniões, lideranças conservadoras exigiram que Zema encerre os ataques a Flávio. Caso contrário, integrantes do Novo defendem retirar seu nome da disputa presidencial.


