A Polícia Federal encontrou maços de dinheiro armazenados em sacos plásticos nesta quarta-feira (27) durante nova fase da Operação Sem Desconto, que apura fraudes na cobrança de mensalidades associativas de aposentados e pensionistas do INSS. Foram cumpridos 31 mandados de busca e apreensão e oito medidas cautelares de monitoramento eletrônico, autorizadas pelo ministro André Mendonça, do STF.
Segundo a PF, os investigados integram três núcleos de atuação identificados em São Paulo, Brasília e Guaranhuns, no interior de Pernambuco. Em São Paulo, os alvos são pessoas ligadas a entidades como Amar Brasil Clube de Benefícios, Master Prev, Associação Nacional de Defesa dos Direitos dos Aposentados e Pensionistas e Associação de Apoio Social e Assistência ao Próximo Saúde. Em Brasília, a investigação mira responsáveis pela União Brasileira de Aposentados da Previdência e pela Associação de Benefícios e Previdência. Em Pernambuco, são investigados servidores e ex-servidores de agências locais do INSS, além da Associação Brasileira dos Aposentados e Pensionistas da Nação.
A PF informou que há indícios de que parte dos investigados tentava se desfazer de bens para evitar bloqueio judicial. As medidas cautelares buscam preservar patrimônio que possa ser usado para ressarcir vítimas. A investigação revelou que as entidades desviaram cerca de R$ 6,3 bilhões por meio de cobranças indevidas sem autorização dos beneficiários. Muitos aposentados só descobriram os descontos ao consultar extratos de pagamento e sequer sabiam que haviam sido filiados às associações.
A Operação Sem Desconto foi deflagrada em abril de 2025, quando a PF e a Controladoria-Geral da União (CGU) revelaram o esquema. Na ocasião, integrantes da cúpula do INSS foram afastados. As entidades atuavam com base em acordos de cooperação técnica com o instituto e prometiam serviços como assistência jurídica, academias e planos de saúde, mas a CGU concluiu que muitas não possuíam estrutura para oferecer os benefícios anunciados.


